MANAUS – A Defensoria Pública requereu do Conselho Regional de Medicina (CRM-AM) que, além da instauração de um Procedimento Ético Disciplinar, seja cassado o registro profissional do médico Armando Andrade Araújo, que destratou uma mulher gestante, durante trabalho de parto, na Maternidade Balbina Mestrinho, da Secretaria de Estado da Saúde (Susam). A instituição também pediu, como medida cautelar, que a carteira do profissional seja recolhida.

O médico aparece em um vídeo que circula nas redes sociais desde o dia 19 de fevereiro. Nas imagens é possível ver o médico Armando Andrade Araújo batendo com as duas mãos nas virilhas da paciente em trabalho de parto, após familiares dela afirmarem que denunciariam as condições de atendimento médico da maternidade à imprensa. A grávida estava tentando dificuldades de dar luz a criança.

Para a defensora pública Caroline Souza, titular da 13ª Defensoria Forense Cível e coordenadora da Área Cível da DPE-AM, o pedido é necessário diante do histórico de Armando. 

“O órgão responsável por cassar o registro profissional dele é o Cremam. O Armando tem uma extensa ficha criminal, com processos em curso e arquivados, envolvendo outras denúncias por violência obstétrica e uma por se recusar a atender paciente com HIV”, destacou a defensora.

CRM-AM investiga

O CRM-AM instaurou sindicância para apurar a atuação do médico. Em nota, o presidente do órgão, José Bernardes Sobrinho, informou que tomou as providências cabíveis em relação ao vídeo que circula nas redes sociais desde o dia 19 de fevereiro de 2019.

O CRM-AM ressaltou que, embora tenha sido veiculada a informação de que os fatos teriam ocorrido em 2018, o conselho somente tomou ciência através dos meios de comunicação uma vez não ter sido formalizada denúncia por parte da paciente ou de seus familiares. 

“Assim, a investigação foi instaurada de ofício e seguirá rigorosamente os procedimentos da Resolução CFM nº 2.145/2016 (Código de Processo Ético Profissional)”, finaliza a nota.

A vítima registrou o Boletim de Ocorrência somente no último dia 20 após a repercussão do vídeo. Ela alegou que não tinha como provar e que não tinha tido acesso as imagens. Este já é o sexto boletim registrado contra o médico Armando Andrade Araújo desde 2013, segundo a Delegacia Especializada em Crimes Contra Mulher (DECCM).

Preso

Armando foi preso em 2015 acusado de integrar uma quadrilha especializada em cobrar dinheiro para fazer partos, laqueadura e outros procedimentos ginecológicos em maternidades públicas de Manaus.

Por meio de nota, a Susam informou que não há qualquer registro na maternidade ou na Ouvidoria à época do fato. O médico foi afastado das atividades na maternidade.

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