O 1º Distrito Policial (DP) de Curitiba, localizado em pleno Centro de Curitiba, chegou ao ápice de sua superlotação: mais de 81 pessoas estão precariamente amontoadas em duas celas, uma antessala e uma sala. As condições da delegacia são o episódio mais recente da crise carcerária do Paraná, que mantêm mais de 9 mil presos em carceragens de delegacia em todo o estado.

A superlotação extrema do 1º DP – onde também funcional a central de flagrantes – foi constatada em vistoria realizada na segunda-feira (22), pelo Conselho da Comunidade e pela Defensoria Pública do Paraná. Além de ser um problema por si só, a superlotação na carceragem tem resultado em diversas situações de tentativas de fuga do 1º DP. A última delas aconteceu em novembro do ano passado, quando alguns detentos foram flagrados no telhado da delegacia tentando escapar de lá.

Originalmente, o 1º DP tem apenas duas celas, com capacidade conjunta para oito pessoas, mas que detinham 21. A necessidade, no entanto, faz com que presos sejam mantidos também na antessala que dá acesso à carceragem. Neste espaço, havia 55 presos. Há apenas duas entradas do ar e, para suportar o calor, os detidos permanecem apenas de cueca e se abanam o tempo todo com marmitas de isopor.

Como a carceragem não tem espaço para manter mulheres, cinco presas foram colocadas em outra sala do 1º DP. Elas permanecem algemadas o tempo todo. Além da falta de condições dignas, há presos com problemas graves de saúde. Quando o Conselho da Comunidade e a Defensoria chegaram à delegacia, encontraram dois deles que haviam desmaiado por causa do calor e que estavam acorrentados fora das celas.

Do lado de dentro, um homem diagnosticado com tuberculose – e que chegou a vomitar sangue – usava uma máscara cirúrgica para tentar evitar que os demais fossem contaminados. Havia ainda dois presos com asma, dois com problemas de pressão alta e um soropositivo para o vírus HIV.

“Além da falta de respeito, de dignidade e do atentado a todas as formas de direitos humanos, a nossa preocupação é com relação à saúde deles. Tem presos com doenças contagiosas. A sensação de calor é de mais de 50 graus [Celsius]”, disse a presidente do Conselho, Isabel Mendes. “Eu nunca vi uma superlotação dessas no 1º DP. E o problema é que continuam a chegar presos”, acrescentou.

A exemplo do que já acontece em outras delegacias, os presos são obrigados a urinar em garrafas e galões. Tanto nas celas, quanto na antessala, eles têm defecado em um buraco e jogado água da torneira para escoar as próprias fezes. “É uma coisa inimaginável”, afirmou Isabel.

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