A viuvá, Luciana Nogueira e o músico Evaldo - Foto: Reprodução

Rio de Janeiro|RJ – A morte do músico Evaldo Rosa dos Santos, 51 anos, na tarde do último domingo, 07/04, em Guadalupe, não é a única que aconteceu após engano por policiais militares.

O músico estava com a sua família a caminho de um chá de bebê, em um Ford Ka Fiesta Sedã, quando teve seu carro alvejado por pelos menos 80 tiros disparados pelos fuzis do Exército, segundo a Polícia Civil.

No banco da frente estava o motorista, Evaldo e ao lado, o sogro, Sérgio Araújo que ficou ferido. No banco de trás, a mulher do músico, Luciana dos Santos Nogueira, o filho de 7 anos, e uma amiga.

Um rapaz identificado Luciano Macedo, que passava pelo local, foi atingido nas costas e internado em estado grave.

Foto: Reprodução/G1

Viúva do músico diz que militares debocharam após morte do marido

Segundo a viúva, moradores chegaram a tentar socorrer seu marido, Evaldo, mas eles continuaram atirando. ‘Os militares disseram que seriam condecorados pelo presidente, igual os policiais do Rota que mataram 11 em São Paulo’.

Outro episódio

Este foi o segundo caso em um intervalo de 60 horas. Na madrugada de sexta-feira, 05/04, por volta de 2h, Christian Felipe Santana de Almeida Alves, 19, foi morto por um tiro de fuzil no peito pelo Exército na Vila Militar, em Realengo. A corporação alegou que o jovem foi baleado, na madrugada de sexta-feira, após a moto em que ele estava na garupa furar um bloqueio e o chamou de criminoso.

Comunicado

No domingo, 07/04, o Exército declarou, em nota, que os soldados se depararam com um assalto e que dois criminosos no carro suspeito atiraram nos militares, que responderam à agressão. Na segunda-feira, 08/04, o Exército emitiu um novo comunicado. Afirmou que os militares faziam um patrulhamento regular na área de segurança da Vila Militar e que, “em virtude das inconsistências identificadas entre os fatos inicialmente reportados e outras informações que chegaram depois ao Comando Militar do Leste, foi determinado o afastamento imediato dos militares envolvidos”.

No comunicado, o Exército brasileiro “reitera o compromisso com a transparência e com os parâmetros legais impostos pelo estado de direito ao uso legítimo da força por seus membros, repudiando veementemente excessos ou abusos que venham a ser cometidos”.

Os militares foram levados para a Delegacia de Polícia Judiciária Militar. Eles prestaram depoimento durante toda a madrugada. Uma testemunha civil também foi ouvida. Dos 12 militares que prestaram depoimento, dez estão presos. As prisões seguiram orientação do Ministério Público Militar.

Em outubro de 2017, o Congresso nacional aprovou e o ex-presidente Michel Temer sancionou uma alteração no Código Penal Militar. Desde então, quando um integrante das Forças Armadas mata um civil, o caso vai para a Justiça Militar da União.

Vídeos mostram execução de músico 

Fonte: G1

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