Manaus – O Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus solicitaram ao Ministério da Saúde a antecipação da campanha de vacinação contra a Influenza (gripe). A campanha é nacional e acontece uma vez por ano, no mês de abril, mas, por conta do aumento dos casos de Gripe H1N1, na última semana, o apelo é para que a vacinação seja antecipada para o mês de março, conforme explicaram os secretários de Saúde do Estado (Susam), Carlos Almeida, e do Município (Semsa), Marcelo Magaldi, durante entrevista coletiva, nesta segunda-feira, 25/2.

Na entrevista, realizada na sede da Secretaria de Estado de Saúde, foram anunciadas as medidas que vêm sendo adotadas em conjunto para conter o surto de H1N1 e de outras Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG). O Estado registrou, de janeiro para cá, 126 casos confirmados – 122 em Manaus e 4 no interior – de SRAG. Desses, 27 são de Influenza, provocada pelo vírus H1N1 e dos quais dez evoluíram para óbito.

Segundo a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), na última sexta-feira, 22, o Laboratório Central (Lacen) confirmou que o agente etiológico de quatro óbitos por SRAG registrados no Estado era o vírus da Influenza H1N1. Nesse fim de semana, foram mais seis confirmações, sendo um deles positivo para o Vírus Sincicial Respiratório (VRS), que acomete crianças prematuras ou com có-morbidades.

“Existe toda uma mobilização, tanto do prefeito Arthur Neto quanto do governador Wilson Lima, bem como de nossas áreas técnicas, junto ao Ministério da Saúde, para que possamos antecipar a campanha nacional aqui para o Estado. A campanha é sempre no mês de abril, mas como estamos registrando um aumento da gripe, além daquele que já é comum no período sazonal, é necessária que haja essa antecipação para março”, disse o vice-governador e secretário estadual de Saúde, Carlos Almeida, ao ressaltar que está em vias de criação o Comitê Estadual para Enfrentamento de H1N1, integrando todas as ações.

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi, ressaltou que, enquanto não se tem a vacina, a população deve atentar aos cuidados de prevenção para evitar a gripe e que procure os serviços de saúde, principalmente no caso daquelas pessoas que possuem imunidade baixa ou as chamadas doenças de base. “A rede de saúde da prefeitura está preparada para atender aos casos de gripes e, em parceria com o governo estadual, vamos iniciar uma campanha de prevenção e orientação na mídia”, afirmou.

A Susam informa que reforçou as unidades com o antiviral e toda a rede de saúde da capital e do interior está abastecida, bem como definiu um fluxo para atendimento e internação de casos graves. A Prefeitura de Manaus anunciou que ampliou a dispensação do medicamento para 23 unidades básicas de saúde e para uso em todas as suas unidades. De acordo com a diretora do Departamento de Vigilância Ambiental da Semsa, enfermeira Marinélia Ferreira, a medicação só pode ser prescrita com avaliação médica. “Diante dos sintomas, deve-se procurar um profissional para ser avaliado”, aconselhou.

A diretora-presidente da FVS, Rosemary Costa Pinto, explicou que o surto no Estado está relacionado ao que aconteceu no Brasil no segundo semestre do ano passado, quando foram registrados 3,8 mil casos de H1N1 e 900 óbitos no País. “Aqui no Amazonas, a sazonalidade da gripe é depois, no período chuvoso”, explicou. Ela também afirmou que o H1N1 é hoje um vírus com característica pandêmica na América do Norte e Central, principalmente nos Estados Unidos, Canadá e México, acreditando-se que essa situação também tenha influenciado no aumento dos casos no Amazonas.

Para o enfrentamento à doença, a FVS capacitou toda a rede, inclusive a particular e enviou nota técnica com alerta. Foram definidos protocolos para que as comissões de Vigilância Hospitalar possam estar atuantes dentro das unidades. Ainda em Manaus, a FVS realiza monitoramento em unidades de atendimento adulto e pediátrico, da rede pública e privada, dos casos de SRAG internados.

Nesta segunda-feira, foram enviadas equipes da FVS para os municípios de Manacapuru, onde teve dois casos confirmados de H1N1, além de Parintins e Itacoatiara, com um caso em cada. Também foi realizada reunião com os secretários municipais de saúde e uma equipe do Ministério da Saúde irá apoiar os trabalhos de campo, a partir dessa semana, nas investigação e busca ativa de casos.

Prevenção

A principal medida de prevenção da doença é a vacinação que ocorre mediante campanha nacional anualmente. Em 2018, o município de Manaus conseguiu alcançar a meta em três grupos prioritários: idosos, purpuras, indígenas e professores, superando 90% da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde. Os demais grupos, tais como crianças, gestantes e profissionais de saúde ficaram abaixo da meta prevista, totalizando 88,45%. Este ano, por determinação do Ministério da Saúde, a campanha está prevista para o mês de abril.

Diante da reintrodução de doenças imunopreveníveis, faz-se um alerta aos pais e responsáveis pelas crianças para atualização da situação vacinal de todos os imunobiológicos nas 183 salas de vacinas de Manaus. Inclusive a prefeitura tomou uma medida que recomenda aos pais ou responsáveis de alunos da educação básica, apresentar até o mês de maio a situação vacinal atualizada de todas as crianças e adolescentes matriculados na Secretaria Municipal de Educação (Semed).

Medidas de controle

Recomenda-se a lavagem frequente das mãos antes de tocar em mucosas (olhos, boca e nariz) e após espirrar, o uso de lenços de papel (descartável) para proteger boca e nariz ao espirrar; uso de álcool gel; indivíduos doentes devem manter repouso, alimentação balanceada e ingestão de líquidos adequada, evitando contato com outras pessoas em ambientes fechados e aglomerados; evitar a exposição de menores de cinco anos ao clima chuvoso; manter ambientes bem ventilados; caso o indivíduo apresente febre, tosse, dor de garganta, falta de ar ou qualquer outro sintoma associado, deve procurar o serviço de saúde para melhor avaliação.

Além do reforço do Tamiflu nas unidades de saúde, a Prefeitura de Manaus executa ações para o controle da Influenza A (H1N1), por meio do monitoramento e manejo clínico das síndromes gripais. Dentre as ações destacam-se: levantamento da situação vacinal das crianças menores de cinco anos e atualização das cadernetas de todas as vacinas, emissão de comunicado aos Distritos de Saúde (Disas) alertando sobre os fatores de risco e o atual cenário epidemiológico na cidade, investigação, acompanhamento e medidas de controle de todos os casos notificados pela equipe de vigilância epidemiológica.

Sinais e sintomas da influenza

É considerada uma infecção viral aguda que afeta o sistema respiratório, caracterizada por febre alta de início súbito, acompanhado por intensas dores musculares e articulares, dor de cabeça, dor de garganta e coriza.

Os sintomas podem evoluir para falta de ar e outras complicações respiratórias. As pessoas que possuem algum fator de risco para complicações ou alguma imunodeficiência – possuem um risco maior e podem apresentar complicações respiratórias associadas à infecção viral.

A gripe é transmitida pessoa a pessoa, ao falar, tossir, espirrar, principalmente, e pelas mãos que transmitem o vírus por contato direto ou contaminando superfície e objetos.

Fatores de Risco – populações mais suscetíveis para o agravamento das síndromes gripais:

A população indígena, gestantes, puérperas, crianças menores de dois anos e idosos são considerados público de maior risco, assim como pessoas que apresentam condições como pneumopatias (incluindo asma), cardiovasculopatias, doenças hematológicas, distúrbios metabólicos, transtornos neurológicos e do desenvolvimento que possam comprometer a função respiratória, imunossupressão, obesidade, nefropatias e hematopatias.

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