Delegada Débora Mafra/Foto: Raimundo Paixão

A cada dia, 112 mulheres são vítimas de algum tipo de violência no Amazonas. Só em 2017, foram cerca de 40 mil mulheres atingidas de alguma forma. Grande parte desses crimes começam por xingamentos, depois passam a ameaças e evoluem para agressões físicas. Uma das consequências são problemas psicológicos que podem levar à morte.

Uma pesquisa do Datafolha (Departamento de pesquisas da Folha de São Paulo), encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, indica que 503 mulheres são agredidas a cada hora e 10 delas são vítimas de feminicídio em todo o Brasil. O levantamento relata também que se 503 mulheres receberam agressões físicas, cerca de 4,5 milhões das brasileiras foram vítimas desse crime em 2017.

Em Manaus, houve um salto de 17,26% de vítimas no mês de agosto comparado a julho deste ano, segundo a SSP-AM (Secretaria de Segurança Pública do Amazonas). Apesar dos registros, o dado é considerado pelos especialistas na área como positivo, pois mostra que a mulher criou coragem para denunciar.

A titular da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher de Manaus (DECCM), Débora Mafra, explicou que geralmente ocorre uma alta nos índices em alguns meses por conta da divulgação, principalmente nos meses em que é comemorado algo referente as mulheres, esses são motivos para tal divulgação contra o tipo violência.

A delegada também afirmar que, se delegacia começar a divulgar algo relacionado a violência, em um certo período do mês e a mulher passar a se identificar com o problema que é anunciado pela imprensa, o índice aumenta, pois as denuncias vão surgindo.
“Com isso, ela se empodera para resolver a situação que há anos está guardada dentro de casa. Quanto mais divulgação tiver do tema, mais mulheres vão procurar”, afirmou Mafra.

Um dos crimes de maior repercussão na capital do Amazonas, nesses últimos meses, foi o da jovem de 21 anos que perdeu a visão e teve parte do rosto deformado com ácido sulfúrico, tendo como suspeita seu ex-namorado Arlindo Oliveira da Silva, 53 anos.

O caso está sendo investigado pela responsável da delegacia especializada e por conta da gravidade do caso, a mulher foi socorrida e ficou internada durante um mês no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. Na unidade hospitalar, a vítima começou a receber ameaças do ex-companheiro e desconfiou que ele era o mandante do crime.

Feminicídio

Em março de 2015, um tipo de homicídio contra a mulher teve uma lei sancionada pela então, Presidente da República como um gesto oficial de demonstração da importância da luta pela igualdade de gêneros e da intolerância da lei para crimes baseados em sexo.
O tipo de homicídio hoje é conhecido como feminicídio, considerado crime quando há justificativas de que o assassinato ocorreu porque a vítima é mulher.

A ativista social, Carla Conorí, feminista e coordenadora local do Maracatu Baque Mulher Manaus, caracteriza o crime como um assassinato cruel. “É marcado por impossibilidade de defesa da vítima e acaba sendo estágio final de uma série e formas de violência que as mulheres sofrem. Torturas, mutilações e degradações do corpo e da memória”, frisou Carla.

Em relação aos casos de feminicídio em Manaus, houve uma redução nos registros desse crime. De janeiro a julho de 2017, foram denunciados oito casos contra três, no mesmo período em 2018, segundo a delegacia especializada. No Amazonas, os números são maiores. Em 2016, foram assassinadas 68 mulheres, já em 2017, teve um aumento de 7,3%, constatando 73 mortes.

O Ministério dos Direitos Humanos (MDH) divulgou o balanço do Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher), com dados referentes ao período de janeiro a julho de 2018, registrando 27 feminicídios e 547 tentativas de feminicídio. Esses dados tendem a aumentar a cada ano, pois ainda está entrando em rotina o registro da violência em estados do país.

Dados da SSP-AM afirmam que em Manaus nesse ano, cerca de 1.400 mulheres sofreram ameaças do início do ano até julho. As ameaças são o principal tipo de violência que mais a mulher recebe, tudo começa com um comentário que abala a autoestima. Com o passar do tempo, o tom de voz aumenta e se torna ameaçador, a fala fica agressiva, causando medo e uma sensação de perigo.

Por: Raimundo Paixão

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